No artigo anterior, você entendeu o que é marketing de afiliados e como funciona. Agora vem uma decisão que impacta diretamente quanto você ganha e como você trabalha: o tipo de programa.
Estava pensando aqui em como explicar isso de forma prática… Olha só, quando comecei a trabalhar com afiliados, não fazia ideia de que existiam modelos diferentes de remuneração. Achava que era tudo igual: alguém compra pelo seu link, você ganha uma porcentagem. E de fato, esse é o modelo mais comum — mas não é o único.
Cada modelo de remuneração tem suas características, e escolher o tipo errado para o seu nicho ou estilo de conteúdo pode significar trabalhar muito e ganhar pouco. Na minha experiência, a estratégia mais inteligente é combinar modelos — e vou te mostrar exatamente como faço isso no ecossistema FP.
Neste artigo, você vai aprender:
- Os 4 principais modelos de remuneração e como cada um funciona
- Exemplos reais de programas brasileiros para cada modelo
- Como escolher o modelo certo para seu nicho
- A estratégia de combinação que uso para maximizar resultados
Tempo de leitura: 10 minutos
Os 4 Modelos de Remuneração
1. Pay Per Sale (PPS) — Comissão por Venda
É o modelo mais comum e direto: você ganha uma porcentagem (ou valor fixo) quando alguém compra através do seu link.
Como funciona: O visitante clica no seu link, vai para o site do produto, e se comprar dentro de um período determinado (janela do cookie), você recebe a comissão.
Comissões típicas: De 1% a 50%, dependendo do tipo de produto. Produtos físicos geralmente pagam menos (1-10%), produtos digitais pagam mais (20-50%).
Exemplos reais que eu uso:
- Amazon Brasil — Comissões de 1-10% dependendo da categoria. O cookie é curto (24 horas), mas o volume compensa. Quando publico um review no Brechó da Informática, cada link de produto é Amazon Associates. A vantagem: se a pessoa clicou no link de um mouse mas acabou comprando um notebook, eu ganho comissão no notebook também.
- Mercado Livre — Funciona de forma similar à Amazon, com comissões variáveis por categoria. Muitos produtos brasileiros que não estão na Amazon aparecem no ML — por isso sempre incluo links dos dois.
- Shopee — Comissões competitivas, especialmente em eletrônicos e acessórios. Bom para gadgets de menor valor e produtos chineses que têm público no Brasil.
Melhor para: Reviews de produtos, comparativos, listas de recomendações, guias de compra. Basicamente todo o conteúdo do Brechó da Informática.
Ponto de atenção: Você só ganha se houver venda concreta. Seu conteúdo precisa ser bom o suficiente para levar a pessoa até a decisão de compra.
2. Pay Per Lead (PPL) — Comissão por Cadastro
Neste modelo, você ganha quando alguém realiza uma ação que não é necessariamente uma compra — como fazer um cadastro, iniciar um trial gratuito ou preencher um formulário.
Como funciona: O visitante clica no seu link e se cadastra no serviço. Você recebe a comissão pelo cadastro, independente de a pessoa comprar depois ou não.
Comissões típicas: De R$ 5 a R$ 100+ por lead, dependendo do serviço e do mercado.
Exemplo real:
- GetResponse — Quando recomendo o GetResponse para email marketing no Blog do FP, o visitante pode começar com um trial gratuito. A comissão é gerada quando ele se cadastra e, no modelo recorrente que uso, continua gerando enquanto ele for assinante (mais sobre isso no modelo 4).
Melhor para: Artigos sobre ferramentas e softwares, tutoriais que recomendam cadastro em plataformas, guias de “primeiros passos” com determinado serviço.
Vantagem principal: A conversão é mais fácil. É muito mais simples convencer alguém a testar algo grátis do que a abrir a carteira imediatamente.
3. Pay Per Click (PPC) — Comissão por Clique
O modelo mais simples: você ganha por cada clique no link, independente de a pessoa comprar ou se cadastrar.
Como funciona: Cada vez que alguém clica no link de afiliado, você recebe um valor (geralmente centavos).
Comissões típicas: Centavos por clique. R$ 0,05 a R$ 0,50 dependendo do nicho.
Realidade: Esse modelo é cada vez menos comum no marketing de afiliados tradicional. Está mais associado a redes de display (como Google AdSense) do que a programas de afiliados propriamente ditos. Os ganhos são muito baixos, e o modelo é vulnerável a fraude (cliques falsos).
Minha recomendação honesta: Não faça desse seu modelo principal. O retorno por esforço é muito baixo. Se aparecer como complemento de outro programa, ok. Mas não construa sua estratégia em cima de PPC.
4. Comissões Recorrentes — O Modelo Que Mais Gosto
Aqui está o que muitos afiliados experientes consideram o melhor modelo. Você ganha comissão todo mês enquanto o cliente que você indicou continuar assinante do serviço.
Como funciona: Você indica um serviço de assinatura. Enquanto a pessoa pagar mensalmente, você recebe uma porcentagem todo mês. Se ela cancelar, para de receber.
Comissões típicas: 20-33% do valor da assinatura, recorrentemente.
Exemplos reais:
- Hostinger — Quando recomendo hospedagem no Blog do FP ou na série de SEO, cada pessoa que contrata gera comissão. E como hospedagem é um serviço de longo prazo (ninguém troca todo mês), a recorrência é alta.
- GetResponse — O programa de afiliados oferece comissão recorrente. Cada assinante que chegou pela minha recomendação gera receita todo mês. Quanto mais conteúdo útil eu publico sobre email marketing, mais assinantes entram — e a receita se acumula.
Por que é poderoso: Pense assim — se você indica 10 pessoas por mês para um serviço que paga R$ 30 de comissão recorrente, no primeiro mês são R$ 300. No segundo mês, se indica mais 10, são R$ 600 (10 novos + 10 antigos). No décimo mês, assumindo algum cancelamento, pode estar gerando R$ 2.500+ por mês — sem precisar trabalhar mais que no primeiro.
É o efeito cumulativo. E é por isso que priorizo programas recorrentes na minha estratégia.
Melhor para: Recomendações de softwares, plataformas SaaS, serviços de assinatura. Artigos de “como usar”, tutoriais, comparativos de ferramentas.
Como Escolher o Modelo Certo Para Você
A escolha depende de três fatores:
1. Seu Nicho
Se seu conteúdo é sobre produtos físicos (tech, casa, fitness, etc.), PPS com marketplaces (Amazon, Mercado Livre, Shopee) é o caminho natural.
Se seu conteúdo é sobre ferramentas e softwares (marketing, produtividade, design, etc.), comissões recorrentes são o melhor modelo. Combine com PPL para facilitar a conversão inicial.
Se seu conteúdo é sobre serviços profissionais (consultoria, educação, finanças), PPL costuma ter as melhores taxas.
2. Seu Formato de Conteúdo
Reviews e comparativos → PPS funciona melhor (pessoa já está perto da decisão de compra)
Tutoriais e guias → PPL e recorrente funcionam melhor (pessoa quer resolver um problema, ferramenta é parte da solução)
Listas e recomendações → PPS para produtos, recorrente para serviços
3. Seu Horizonte de Tempo
Se precisa de resultado rápido, PPS com produtos de ticket alto pode gerar receita imediata.
Se está construindo para o longo prazo (recomendado), priorize programas recorrentes. A receita demora mais para aparecer, mas se acumula de forma sustentável.
A Estratégia de Combinação Que Uso
Na prática, eu não escolho um modelo só. Combino vários:
No Blog do FP:
- Hostinger (recorrente) → em artigos sobre hospedagem, SEO técnico, como criar site
- GetResponse (recorrente + PPL) → em artigos sobre email marketing, automação, funil
- Amazon/ML/Shopee (PPS) → quando menciono livros, equipamentos ou ferramentas físicas contextualmente
No Brechó da Informática:
- Amazon Brasil (PPS) → link principal em reviews
- Mercado Livre (PPS) → link alternativo
- Shopee (PPS) → para gadgets e acessórios
- Hostinger (recorrente) → contextualmente, quando o tema envolve criar site/blog
Na CetusNet:
- Hostinger (recorrente) → recomendação para clientes que precisam de hospedagem
- Equipamentos via Amazon/ML (PPS) → quando indica hardware em tutoriais técnicos
O princípio é simples: uso o programa que faz sentido contextualmente para o leitor naquele momento. Nunca forço um link só pela comissão.
E para organizar tudo isso, uso o PAP Afiliados Pro — o plugin que desenvolvi justamente para gerenciar cards de produtos afiliados nos sites do ecossistema. Facilita criar cards profissionais com links para múltiplos marketplaces sem complicação.
Programas de Afiliados Para Começar no Brasil
Se você está começando, aqui estão programas confiáveis por categoria:
Hospedagem e Ferramentas Web:
- Hostinger — Hospedagem, domínios, email. Cookie 30 dias
- GetResponse — Email marketing, automação. Comissão recorrente
Marketplaces (Produtos Físicos):
- Amazon Associates Brasil — O maior catálogo. Cookie 24h
- Mercado Livre — Forte no Brasil. Bom para produtos nacionais
- Shopee Afiliados — Competitivo em eletrônicos e acessórios
- Magazine Luiza — Programa em crescimento
Produtos Digitais:
- Hotmart — A maior plataforma de infoprodutos do Brasil
- Monetizze — Alternativa com boas opções
- Eduzz — Terceira opção relevante
Dica: Comece com 2-3 programas no máximo. Melhor dominar poucos do que se perder em muitos. Conforme ganha experiência e conteúdo, expanda gradualmente.
Próximos Passos
Enfim… agora você conhece os 4 modelos de remuneração e sabe como escolher (e combinar) os que fazem mais sentido para seu nicho:
- PPS (Pay Per Sale): Comissão por venda. Mais comum, ideal para produtos
- PPL (Pay Per Lead): Comissão por cadastro. Conversão mais fácil
- PPC (Pay Per Click): Comissão por clique. Evite como modelo principal
- Recorrente: Comissão mensal enquanto o cliente for assinante. O mais poderoso a longo prazo
Minha recomendação: priorize programas recorrentes (Hostinger, GetResponse) como base, complemente com PPS de marketplaces (Amazon, ML, Shopee) para produtos específicos.
No próximo artigo, vamos ao passo a passo completo: como começar no marketing de afiliados do zero — desde a escolha do nicho até a publicação do primeiro conteúdo que gera comissões.
Próximo artigo: Como Começar no Marketing de Afiliados: O Passo a Passo
Qual modelo de comissão mais te interessa? Comenta aí!
Até a próxima! 🤝
Quer se aprofundar?
- Anterior: Marketing de Afiliados: O Que É e Como Funciona (Artigo 1)
- Próximo: Como Começar no Marketing de Afiliados (Artigo 3)
- Brechó da Informática — Afiliados em ação: reviews honestos de tecnologia
Sobre o autor:
Fernando Pimenta tem 26+ anos de experiência em TI e infraestrutura, MBA em Marketing Digital & Analytics, e usa marketing de afiliados como modelo principal de monetização do ecossistema FP. Criador do plugin PAP Afiliados Pro para WordPress.
Quer receber os próximos artigos da série direto no seu email? É grátis. Sem spam. Cancele quando quiser.
Nota de Transparência: Este artigo contém links de afiliados. Se você realizar uma compra através deles, podemos receber uma pequena comissão, sem custo adicional para você. Só recomendo o que uso ou testei pessoalmente.
